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23/01/2013

Carisma

Neil Lennon nunca foi um primor técnico em campo, atuando apenas por equipes com pouca notoriedade. A única exceção foi o Celtic, clube pelo qual atuou por sete temporadas e iniciou sua carreira como treinador, em 2010. Longe de ser um técnico top de linha, mas já coleciona certos feitos como derrotar o Barcelona, pela Champions League e quase segurar um empate com o mesmo em pleno Camp Nou, além de conseguir a classificação para as oitavas de finais cujas quais o time verde e branco não chegava desde a temporada 2006-07.

Com o campeonato escocês encaminhado, o foco passou a ser ao menos evitar um desastre ante a Juventus. Embora haja toda a pressão em cima disso, nada parece tirar o carisma e a simpatia de Neil Lennon, nem mesmo o celular tocando de um repórter. Veja a cena abaixo e tire a conclusão. Será que um Muricy Ramalho ou um Felipão fariam o mesmo? Acho que nem Tite faria.



09/01/2012

Old Firm, o clássico que atravessa as quatro linhas

O clássico é sinônimo de confusão tanto dentro quanto fora de campo

Uma rivalidade que atravessa as quatro linhas. Celtic e Rangers, rivais não apenas em campo. Religião e terrorismo fazem parte desse contexto que separa os católicos e protestantes, que começou em 25 de maio de 1888, na primeira partida entre as equipes, com vitória do Celtic por 5 a 2.

Uma história entre os times que se difere através do tempo. O Rangers surgiu primeiro, em 1872, fundado por estudantes de Glasgow, tinha seus jogadores e torcedores como protestantes. As cores do uniforme, azul, branca e vermelha, fazem referência às cores da bandeira do Reino Unido. Já o Celtic surgiu em 1887, da iniciativa de um padre irlandês, Walfrid, que utilizou seus paroquianos para fundar um clube para arrecadar fundos para os pobres irlandeses, cujo nome era em referência aos antigos povos da Irlanda, os celtas. Sua torcida era toda ela católica, já que muitos irlandeses migraram para a Escócia após uma praga que atacou a maioria das plantações de batata, principal fonte de renda e de alimentação do povo irlandês, fazendo-os a procurar abrigo também na América do Norte e outros países britânicos. As cores do time, verde e branco, são as mesmas da Irlanda e o trevo de quatro folhas no escudo – que para os irlandeses significava a Cruz de Cristo – também faz referencia a igreja católica.

Mas a religião não é o único motivo além do futebol que eles estão envolvidos. Os torcedores do Celtic levam ao estádio bandeiras com imagens relacionadas ao catolicismo e apoio ao grupo terrorista do exercito republicano irlandês IRA (Repúblicas Armadas da Irlanda). Já os torcedores do Rangers estampam bandeiras cm imagens da Rainha da Inglaterra e de apoio ao grupo terrorista Ulster.

Com uma rivalidade tão acirrada, não é difícil de imaginar conflitos entre eles. Um dos primeiros casos de violência aconteceu em 1909, numa tragédia que matou 180 pessoas no estádio Hampden Park. Em 1971, ocorreu uma das brigas mais trágicas, na qual morreram mais de 200 pessoas e cerca de 70 pessoas ficaram feridas.

A rivalidade era tão grande que até 1988 nenhum jogador católico havia atuado pelo Rangers e nenhum protestante atuado pelo Celtic. Esse estigma acabou Maurice “Mo” Johnston, artilheiro pelo maior rival Celtic, tornou o primeiro jogador a romper a barreira. Porém, sua escolha não foi das melhores, tornando-se odiado pelas duas torcidas, chegando ser ameaçado de morte.

O histórico de conflitos começou a mudar a partir da década de 90, muito influenciada pelo “fim” do hooliganismo na Inglaterra, onde, após muitas brigas na justiça, esses torcedores acabaram banidos dos estádios e os times ingleses penalizados pela Uefa. Atualmente, mesmo com os nervos um pouco mais brandos, The Old Firm como é conhecido, fazem um duelo que pára toda a Escócia, mas ainda tem muita preocupação da segurança, onde as autoridades sugeriram inclusive o fim do dérbi.

A hegemonia dos dois é tão grande em termos locais que desde 1966, apenas dois times conseguiram quebrar a seqüência. O Dundee e o Aberdeen, até então comandado por Alex Ferguson, atual treinador do Manchester United, que venceu três vezes a Scottish Premier League, sendo a última em 1985. Até hoje foram apenas nove equipes que desbancaram os dois gigantes de Glasgow, em um campeonato disputado desde 1891. Em termos de títulos o Rangers é o grande vencedor com 51 títulos e o Celtic tem 41, na seqüência vem com apenas quatro títulos o Hearts.

Mesmo com tanto ódio entre as torcidas fica difícil de imaginar a cidade de Glasgow sem um dos times, principalmente porque deixaria de existir uma das maiores rivalidades do mundo.

08/09/2011

Jock Stein: A lenda que morreu em campo

Ao ver o programa Loucos por Futebol, na ESPN Brasil, no último sábado, o jornalista Paulo Vinicius Coelho (PVC) comentou sobre o ex-técnico escocês Jock Stein, que não teve a mesma sorte que o técnico Ricardo Gomes e morreu em campo, quando dirigia a seleção escocesa em um jogo contra País de Galês. Conheça um pouco mais desse treinador que é considerado um dos maiores que a Escócia já teve.

Nascido em 1922, trabalhou desde muito cedo nas minas de carvão espalhadas pela Escócia e viu no futebol um meio de ter uma vida melhor. Com 20 anos começou a jogar futebol profissional pelo Albion Rovers, porém continuava  a trabalhar nas minas nos intervalos dos treinos. Zagueiro dos mais durões, Jock se destacou e chegou a jogar pelo Coatbridge e pelo Dundee United.


Em 1950 pode se dedicar exclusivamente ao futebol, quando assinou um contrato com o Llanelli, do País de Gales, recebendo 12 libras por semana. Porém, a saudades da família fez com que ele retornasse ao seu país natal no ano seguinte. Graças a Jimmy Gribben, outro famoso ex-treinador do time verde e branco, retornou para jogar pelo time de reservas do Celtic.

Devido a uma sucessão de lesões no time principal, Jock foi promovido. Sua ascensão não parou por aí. Em 1952, assumiu o posto de vice-capitão da equipe e com a lesão do até então atual capitão, Sean Fallon, Jock assumiu a faixa de capitão que ficou com ele até 1956 quando uma série de lesões no tornozelo o fez abreviar sua carreira como jogador profissional.

A vida como treinador

Pouco tempo após encerrar a carreira, Jock Stein recebeu o convite para treinar o time de reservas do Celtic, conquistando o título da Copa sobre o maior rival, o Rangers. Em 1960, foi convidado a assumir o Dunfermline, pequeno clube escocês. O time se encontrava em situação delicada, flertando com o rebaixamento. Jock não só tirou o time da situação incômoda como também sagrou-se campeão da Copa nacional, credenciando o pequeno time a disputa da Copa das Feiras, precursora da Copa UEFA.

Em 1964, a boa passagem pelo Hibernian, marcada pelo seu grande entendimento do jogo, diferente dos outros treinadores o deram um lugar, novamente no Celtic, mas, dessa vez no time principal. Stein assumiu o Celtic, quando o time verde e branco enfrentava um jejum de títulos de oito anos. Em pouco mais de um mês levantou a taça da Copa e no ano seguinte venceu a Liga Escocesa e chegou na semifinal da Copa UEFA, sendo eliminado pelo Liverpool.

Os sucessos europeus com o Celtic (entre eles o título de Copa dos Campeões em 1967 além de ser o primeiro treinador a conquistar um título europeu com um time do Reino Unido) , Stein rumou para o Leeds United, em 1978, mas depois de apenas 45 dias no comando, assume a seleção escocesa.

Pela seleção, Jock levou a Escócia à Copa do Mundo de 1982, cuja qual terminou em 15º lugar. Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1986, Stein comandava a Escócia em um jogo contra a seleção de País de Gales, que precisava apenas de um empate para conquistar a vaga para a Copa do Mundo. Porém, aos 13 minutos de jogo, a seleção galesa abre o placar. Quando a partida chegava para seu final, aos 35 minutos do segundo tempo, um gol de pênalti sacramentou o empate. Ao comemorar o gol, Stein caiu no chão. Um infarto tirava a vida de um dos maiores treinadores que a Escócia já teve.

Além de ter sido inspiração para Alex Ferguson, Jock é lembrado até hoje e reverenciado por torcedores do Celtic, que jamais esqueceram a incrível capacidade de levar um time às glórias.



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